Há algumas hipóteses. O nome pode ter vindo de um confeiteiro alemão chamado Lot, o suposto criador da receita. Ou de “lot”, palavra em hebraico para “véu” ou “cobertura”. Seria uma referência à leveza da massa (ou ao fato de as pessoas cobrirem a sobremesa com um véu para protegê-la das moscas).
Existem furos nessas histórias, porém. O prato (que não é um pão, mas sim um bolo esponjoso feito com farinha, água, açúcar e ovos) tem influências italianas e portuguesas. Além disso, a receita original não era leve.
Caetano Galindo, professor de linguística na Universidade Federal do Paraná e autor do livro Na ponta da língua: O nosso português da cabeça aos pés, sugere uma outra hipótese, associada à expressão “tratar alguém a pão-de-ló”, que quer dizer acolher muito bem uma pessoa.
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Segundo Galindo, a expressão provavelmente se originou da história bíblica de Ló, sobrinho de Abraão. Ló recebeu os anjos enviados por Deus para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra (culpa dos muitos pecados cometidos pelos seus cidadãos). “Ló teria sido o único a acolhê-los, a tratá-los bem – e a lhes oferecer pão”, diz o professor.
Pela boa ação, Ló e sua família puderam fugir da destruição. “As referências bíblicas são muito fortes na nossa cultura”, diz Galindo, que acredita que o ditado pode ter ajudado a batizar o bolo. “É algo especial, uma iguaria que se oferece.”
“Mas, para ser sincero, é possível que jamais saibamos a explicação correta. Várias das hipóteses podem ter se cruzado ao longo do tempo, uma reforçando a outra. Isso acontece com frequência na história das palavras.”







