Oferta Dia dos Pais: Receba Super em Casa por 9,90
Imagem Blog

Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

Vacina da Moderna contra a variante Ômicron decepciona no primeiro teste

Nova mRNA-Omicron foi aplicada em macacos e gerou menos anticorpos neutralizantes do que a vacina atual; resultado é preocupante - e pode estar relacionado a um fenômeno imunológico conhecido como "pecado original antigênico" 

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 fev 2022, 16h02 | Atualizado em 6 set 2024, 10h30
Vacina da Moderna contra a variante Ômicron decepciona no primeiro teste Priorizar nos meus resultados Google

Nova mRNA-Omicron foi aplicada em macacos e gerou menos anticorpos neutralizantes do que a vacina atual; resultado é preocupante – e pode estar relacionado a um fenômeno imunológico conhecido como “pecado original antigênico” 

No estudo, que foi realizado pelo National Institutes of Health (NIH) do governo americano e publicado no regime de pre-print (ainda não revisado por cientistas independentes), o novo imunizante foi testado em oito macacos rhesus. Todos haviam sido vacinados, dez meses atrás, com duas doses da atual vacina da Moderna, a mRNA-1273. Agora, esses animais foram divididos em dois grupos: metade deles recebeu uma terceira dose da mRNA-1273, e a outra metade tomou a nova vacina mRNA-Omicron.

Duas semanas depois, os cientistas coletaram amostras de sangue dos macacos e mediram a quantidade de anticorpos neutralizantes presente nelas. Nos macacos que tinham tomado uma terceira dose da vacina atual, a média foi de 1:2980 – ou seja, o sangue deles podia ser diluído 2980 vezes e ainda assim conteria anticorpos suficientes para neutralizar a variante Ômicron. É um excelente resultado. 

Já nos macacos que tinham tomado a nova vacina, esse número foi bem menor: 1:1930. Também é um resultado ótimo – mas indica que a mRNA-Omicron é menos eficaz, no combate à variante Ômicron, do que a vacina tradicional (que é baseada no vírus original, descoberto em Wuhan). Ou seja, ela não conseguiu alcançar seu objetivo, que era combater melhor a Ômicron. 

Por isso, conclui o estudo, uma dose de reforço da nova vacina “pode não fornecer maior imunidade ou proteção se comparada a um boost [reforço] com a mRNA-1273 atual”. Se esse resultado for confirmado em humanos, a mRNA-Omicron não terá utilidade. Não haverá motivo para produzi-la; será melhor continuar com a vacina atual.

Continua após a publicidade
gráfico
Anticorpos neutralizantes gerados em macacos que receberam uma dose de reforço da vacina mRNA-1273, que é utilizada atualmente e se baseia no coronavírus “original”, ou da nova mRNA-Omicron. Repare como a vacina atual, representada pelas linhas contínuas, sempre gera mais anticorpos neutralizantes do que a nova (representada pelas linhas tracejadas), inclusive contra a variante Ômicron. (bioRxiv/Reprodução)

Você deve estar se perguntando: como é possível? Se a nova vacina é feita com fragmentos da Ômicron, ela deveria gerar mais anticorpos aptos a neutralizar essa variante, certo? Deveria, mas não gerou. Segundo os autores do estudo, a explicação pode estar em um fenômeno conhecido como “pecado original antigênico”, que foi descrito pela primeira vez na década de 1960 e até hoje não é bem compreendido pela ciência.

Nesse processo, o sistema imunológico fica “travado” na primeira versão de um determinado vírus. Mais tarde, quando a pessoa é vacinada contra uma nova variante (ou é infectada por ela), o organismo não reage da forma esperada: ele produz anticorpos contra o vírus inicial, ignorando as mudanças presentes no novo. Daí a menção a pecado original no nome do fenômeno (que também é chamado de “impressão antigênica”). 

Continua após a publicidade

Com alguns vírus, como o influenza (da gripe), o pecado original antigênico não se manifesta: você pode tomar uma nova vacina a cada ano, atualizada para refletir as mutações do influenza, e o corpo responde corretamente. Já com o vírus DENV, que causa a dengue, esse fenômeno acontece (e atrapalha muito o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a doença). 

O estudo do NIH foi realizado em macacos, não em humanos. É preciso esperar o resultado dos testes da mRNA-Omicron em pessoas, já em andamento, para tirar conclusões definitivas. E pode ser que a nova vacina da Pfizer, adaptada para a Ômicron, não tenha esse problema (ela também já está em testes clínicos).

Mas esse primeiro resultado é um alerta, pois indica que o Sars-CoV-2 pode estar sujeito ao pecado original antigênico – o que, em se confirmando, irá dificultar ou inviabilizar o desenvolvimento de vacinas adaptadas para a Ômicron.  

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura de tecido, um logo de árvore azul escuro no canto superior direito e uma superfície de madeira clara na parte inferiorFundo texturizado em tom pêssego claro, com uma sutil faixa horizontal mais escura na parte inferior e um pequeno ícone de árvore azul escuro no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico 99

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado #####
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).