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Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria dos detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 14h14

Metade de todos os ambientes aquáicos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo. Essa é a conclusão de um trabalho (1) de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema. Conversamos com o biólogo Ítalo Braga de Castro e o engenheiro ambiental Victor Vasques Ribeiro, dois dos autores, para entender a questão.

O estudo constatou que 45,8% de todos os ambientes aquáticos estão “sujos” ou “extremamente sujos”. Isso é determinado por uma escala padronizada, a Clean Coast Index (CCI). Como ela é calculada?
Ítalo: O CCI é baseado na densidade de itens por metro quadrado [a escala vai de “muito limpo”, quando há 0 a 0,1 fragmento de lixo por m2, a “sujo”, com 0,5 a 1 pedaço, e “extremamente sujo”, acima de 1]. A gente tem uma certa crítica a essa escala, principalmente quando ela chega no nível mais alto, o “extremamente sujo”, porque encontramos locais com dezenas ou até centenas de itens por m2.

Victor: Talvez tenha de haver uma atualização nesse índice. É uma coisa que a gente pretende propor, no futuro.

No Brasil, 30% dos ambientes se enquadram nas categorias “sujo” ou “muito sujo”. É bastante, mas está abaixo da média mundial. Quais as possíveis explicações?
Ítalo: Há muitas áreas no mundo onde o CCI é desconhecido, porque elas não foram estudadas. E a questão também é dinâmica. Eu posso chegar numa praia hoje, encontrar um CCI alto e amanhã um CCI baixo. Praias urbanas [localizadas em cidades] recebem atividades de limpeza pública, o que pode gerar essa variação.

Victor: No Brasil, há muitos estudos em praias urbanizadas. Essa limpeza pode ter reduzido bastante [o CCI], apesar de o Brasil também ter manguezais, que costumam reter a maior quantidade de lixo. É uma questão complexa.

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A maior parte do lixo é de apenas dois tipos: plástico, que representa 68% dos fragmentos, e bitucas de cigarro (11%). O que poderia ser feito para tentar diminuir a quantidade desses detritos na água?
Ítalo: Existe um caminho fácil, que é a conscientização. Mas o problema é mais profundo. A gente tem é que partir para uma substituição dos itens. E isso, obviamente, tem encontrado resistência, porque esbarra em interesses. Sobretudo da indústria do plástico.

Victor: Com relação às bitucas, tem havido uma discussão recente sobre banir os filtros [do cigarro]. Porque o filtro deveria proteger o pulmão, deveria impedir que algumas toxinas fossem para o organismo, mas isso é uma falácia.

Fonte 1. “Influence of protected areas and socioeconomic development on litter contamination: a global analysis”.

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