Com doações que são armazenadas e implantadas quando há necessidade. As lâminas de pele são colocadas em feridas de acidentes de carro ou em queimaduras - como aconteceu na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013. Na ocasião, mais de 20 mil cm2 foram doados de cinco bancos diferentes às vítimas. A Organização Mundial da Saúde recomenda que toda cidade acima de 450 mil habitantes tenha um estabelecimento desses. No Brasil, entretanto, há apenas quatro, em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre. "Precisamos de, no mínimo, seis", afirma o coordenador do banco recifense, o cirurgião plástico Marcelo Borges. Nos EUA, que inauguraram o primeiro do mundo em 1949, hoje há 60 centros.Questão de tatoGeralmente retirada de falecidos, doação é armazenada em geladeiraPRESENTE PÓSTUMOO mais comum é que as doações venham de pessoas falecidas. Estão "aptos" a doar os mortos com idade entre 12 e 60 anos e pelo menos 40 kg, mas a extração da pele precisa ser feita em até, no máximo, 12 horas após o óbito. Órgãos como o coração, os rins e o fígado têm prioridade na retirada - a pele só é extraída depois da córnea. A camada doada nunca desfigura o cadáverPEDACINHO DE VOCÊA pele pode ser extraída das costas, dos dois lados da coxa e da parte de trás da perna. Cada lâmina retirada tem cerca de 10 x 3 cm, um pouco maior que o tamanho de um band-aid. A profundidade é mínima, cerca de 1 mm. O procedimento é feito com um aparelho chamado dermatomo elétrico, uma espécie de "gilete" que possibilita um corte precisoVIVOS NÃO PODEMEm vida, só se pode doar em caso de morte encefálica. Doenças como aids e hepatite, que são contagiosas, inviabilizam a doação. Pessoas saudáveis até podem doar, mas, assim como acontece com órgãos como os rins, o mais comum é que o processo só role quando um parente precisa. "Não podemos incentivar o comércio de peles, ia virar tráfico", afirma BorgesDANDO UM GELOA pele nunca é imediatamente transplantada. Ela é envolta com glicerina, um tipo de gel preservativo, e armazenada em bolsas fininhas de plástico, que são colocadas em geladeiras a 4 oC. Ao longo de até 40 dias, a doação passa por uma série de exames para detectar doenças infecciosas. Ela pode ser conservada por até dois anosSalvação em camadasTransplante ajuda a proteger a ferida enquanto o paciente se recuperaPONTO CÚTISO estado de saúde da vítima de queimadura precisa se estabilizar antes que ela receba o transplante, o que pode demorar até cinco dias. A pele é costurada no paciente por um cirurgião plástico, que usa um fio próprio de sutura chamado Mono Nylon. Utiliza-se, em média, de 2 a 3 mil cm2 em cada procedimentoCOLCHA DE RETALHOSDependendo da área queimada, podem ser necessários diversos enxertos para cobri-la. Eles agem como um curativo natural: protegem a pele de infecções, da perda de líquido e da dor. A retirada dos pontos costuma ser parcial. A cor da pele do doador não é levada em conta na hora de escolher o beneficiado, já que o enxerto não é permanente (vide abaixo)TROCA DE PELEO enxerto é sempre rejeitado pela pele, sem exceções. Mas esse processo leva até quatro semanas para acontecer - a pele doada serve para proteger a queimadura nesse tempo. Após o período, é feito um novo transplante, dessa vez com pele do próprio paciente, que já está em condições de fornecê-la. Esse autoenxerto é definitivoUm único doador pode ajudar com quase 2 mil cm2 de peleNa sola dos pés e na palma das mãos, a epiderme geralmente é mais grossaA pele em partesDividido em três camadas, tecido tem cerca de 4 mmEpiderme - 0,02 a 0,08 mmDerme - 0,45 a 2,6 mmHipoderme - 0,3 a 1 mmConsultoria Marcelo Borges, cirurgião plástico e responsável pelo Banco de Peles do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), e Adriana Vilarinho, dermatologistaFonte Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Performance of Protective Clothing: Global Needs and Emerging Markets: 8th VolumeLeia também:- Que animais ainda são usados para fazer casacos de pele?- Como agem os bronzeadores?- Como se forma a casca de ferida?