Homens grandes, musculosos barbudos e assustadores, típicos de filmes e séries de TV, não eram os únicos que iam para batalha na cultura viking. As mulheres também podiam entrar em campo como guerreiras a até ocupar altos cargos militares - tudo isso há mais de mil anos.Cientistas britânicos reconstruíram o rosto de uma mulher encontrada em um cemitério viking no distrito de Solør, na Noruega. Testes de DNA já haviam confirmado que o cadáver era feminino, mas essa é a primeira vez que ela ganha um rosto.O ferimento na cabeça foi profundo o suficiente para lesionar o crânio, provavelmente causado por uma espada. Segundo a arqueóloga Ella Al-Shamahi, essa é a primeira evidência encontrada de uma mulher viking com feridas de batalha.Além da ferida, a combatente foi enterrada junto com uma variedade imensa de armas, incluindo flechas, uma espada, um machado e uma lança. Mesmo assim, Al-Shamahi diz que o cadáver sempre foi caracterizado apenas como uma mulher, e não como uma guerreira. “Sua cova não era considerado um túmulo de guerreiro simplesmente porque quem estava dentro era uma mulher”, disse ela ao Guardian.A tecnologia empregada na reconstrução alocou os músculos e em seguida aplicou a camada de pele, resultando nas feições brutas da gladiadora viking. “A reconstrução nunca é 100% fiel, mas é boa o suficiente para ser reconhecida por alguém que conhecia o indivíduo pessoalmente”, diz Caroline Erolin, pesquisadora da Universidade de Dundee, na Escócia, que liderou a reconstrução.Essa não é a primeira vez que os arqueólogos provam a existência de guerreiras vikings. Em 2017, uma análise de DNA confirmou que o viking conhecido como “Guerreiro de Birka” era, na verdade, uma mulher. O cadáver foi descoberto na década de 1880, na Suécia, mas foi só em 2017 que a análise confirmou seu sexo. Até então, todos os historiadores assumiam que se tratava de um homem, já que havia sido sepultado tipicamente como um comandante. A ideia de mulheres vikings guerreiras já vive no imaginário popular há tempos. Filmes, e, mais recentemente, a série Vikings, do History Channel, mostram personagens femininas batalhando ao lado de homens. As “donzelas de escudo” são descritas nos textos nórdicos como mulheres que iam a campo para proteger os guerreiros – com escudos. O mais provável, de acordo com os achados, é que não seja bem isso: que simplesmente havia mulheres nos campos de batalha vikings, seja na defesa, seja no ataque.