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Nem toda doença deve ser tratada

Em alguns casos, as chances de sucesso são mínimas - mas os efeitos colaterais do tratamento, não

Por Fernanda Ferrairo e Bruno Garattoni
4 ago 2016, 15h32 • Atualizado em 5 dez 2019, 14h23
  • 20 SEGREDOS QUE OS MÉDICOS NÃO CONTAM
    NÚMERO 11 | TODOS OS OUTROS

    Quanto mais precoce é a detecção de um tumor, maiores as chances de sucesso no tratamento. Fato. Mas nem sempre vale a pena tratar. Alguns cânceres, como o de pâncreas e o glioblastoma (no cérebro), são tão agressivos que vão matar o paciente de qualquer jeito. O câncer de pâncreas já mata 75% das pessoas no primeiro ano. Cinco anos após o diagnóstico, 94% (o glioblastoma, 90%). Nesses casos, tentar lutar contra a doença pode ser inútil, e só piorar a qualidade de vida da pessoa ou fazê-la morrer mais rápido – já que certos tratamentos são mais agressivos que o próprio tumor.

    A terapia superagressiva pode ser um problema até no mais comum dos cânceres: o de mama. Detectá-lo nos estágios iniciais é, sim, fundamental. O problema é que, na busca por esse diagnóstico, a medicina pode passar da conta. Foi o que revelou um estudo que analisou os índices de câncer de mama, por 14 anos, em países que começaram a oferecer mamografias preventivas. Com mais exames, aumentaram os diagnósticos, o que é bom. Mas, para cada mulher que teve a vida salva, outra passou por tratamentos desnecessários – em 52% dos casos, o tumor era inofensivo.

    Na Inglaterra, o governo recomenda que o exame de antígeno prostático (PSA) não seja feito por todos os homens – pois isso pode levar a falsos diagnósticos de câncer de próstata, com tratamentos desnecessários.

    A cultura de tratar tudo, sempre, pode ser especialmente danosa a um sistema de saúde gratuito e universal, como o SUS.

    Fonte: Overdiagnosis in publicly organised mammography screening programmes. K. Jorgensen e outros, The Nordic Cochcrane Centre.

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