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A maneira como você passa o café pode alterar o efeito da bebida no corpo

Estudo de pesquisadoras brasileiras analisou o que muda na ação antioxidante do café depois de ser adoçado e adicionado ao leite.

Por Manuela Mourão
30 out 2025, 08h00 • Atualizado em 3 nov 2025, 09h55
  • Você passa seu café no filtro ou na prensa? Depois… adoça ou não? E entra um leitinho nessa xícara?

    A forma como o brasileiro prepara o café pode alterar não apenas o sabor da bebida, mas também seus efeitos sobre o corpo. Essa é a conclusão de um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), apresentado recentemente na 14ª Conferência Internacional de Dados Alimentares da FAO, em Roma.

    O trabalho, conduzido pela nutricionista Camila Marques Crivelli Crescencio sob orientação da professora Elizabeth Torres, investigou como diferentes preparos e ingredientes afetam a composição fenólica e a capacidade antioxidante do café. Os antioxidantes são moléculas que ajudam a combater os radicais livres – substâncias ligadas ao envelhecimento celular e a diversas doenças crônicas.

    “Elaborar um trabalho aceito pela FAO é uma chancela internacional de relevância”, afirma Torres para o Jornal da USP. “Foi uma honra representar o Brasil, levando dados sobre um produto que é símbolo nacional e a bebida mais consumida no mundo depois da água.”

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    As pesquisadoras compararam oito tipos de preparações, incluindo cafés com e sem cafeína, puros e combinados com leite e açúcar. O resultado: o café puro com cafeína apresentou a maior atividade antioxidante. A adição de açúcar reduziu levemente esse potencial, enquanto o leite provocou uma queda mais significativa.

    A explicação está na química. “As proteínas do leite se ligam aos compostos fenólicos do café e dificultam sua absorção”, explica Crescencio. “Já o açúcar, quando aquecido, passa por reações que também geram atividade antioxidante, o que ameniza essa redução.”

    O estudo também reforçou que o método de preparo influencia o resultado. O filtro de papel – o mais comum entre os brasileiros – retém parte dos compostos, mas tem um benefício adicional: reduz substâncias associadas ao colesterol. Fatores como o tipo de grão, a torra e o solo de cultivo também desempenham papéis importantes.

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    Mas afinal, qual é o melhor café para a saúde? “Depende de cada pessoa”, dizem as pesquisadoras. “De modo geral, o café puro com cafeína oferece o maior potencial antioxidante, mas o descafeinado é uma boa opção para quem precisa limitar o consumo de cafeína.”

    Para Torres, o estudo reforça o papel central da bebida na dieta nacional. “Apesar da enorme biodiversidade do Brasil, é o café que mais contribui para a ingestão de antioxidantes no país, pelo volume de consumo”, afirma.

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