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Imagem de homem loiro em tumba chinesa de 1.300 anos intriga arqueólogos

Quem era esse ocidental retratado em ilustrações do século 8? Veja a principal hipótese.

Por Bruno Carbinatto
30 ago 2024, 14h00

Arqueólogos chineses finalizaram a escavação de uma tumba feita de tijolos que data do século 8, no meio da chamada dinastia Tang. O local está repleto de murais ilustrados com diversas imagens detalhadas, e uma figura em especial chamou a atenção da equipe – um homem aparentemente ocidental, de cabelos loiros.

A tumba em questão foi encontrada na província nortenha de Shanxi em 2018, mas os estudos arqueológicos só terminaram em junho deste ano. De acordo com uma lápide encontrada no interior dela, o local era destinado para o enterro de um homem de 63 anos que morreu no ano de 736, bem como o de sua esposa.

Toda a câmara, com exceção do chão, está decorada com detalhadas e vívidas pinturas no estilo próprio da era Tang. As ilustrações retratam cenas típicas do dia a dia da época: pessoas moendo grãos, pegando água de um poço, cozinhando e se banhando – tudo numa paisagem com árvores ao fundo, como era o costume neste estilo de arte. Também há desenhos de animais, seres mitológicos como dragões e fênix  e, na entrada da tumba, de guardas armados com espadas.

Tumba chinesa
(Shanxi Provincial Institute of Archaeological Research/Reprodução)

As pessoas que apareceram fazendo as atividades rotineiras são sempre o mesmo homem e a mesma mulher, provavelmente os próprios donos da tumba, dizem os pesquisadores. Não há registros de governantes importantes ou acontecimentos históricos nas artes.

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Em uma das ilustrações, porém, a mulher aparece à frente de vários cavalos, e, ao seu lado, um pequeno homem segura um chicote. Segundo a equipe de arqueólogos, o desenho provavelmente retrata alguém de uma etnia diferente da Han – o principal grupo étnico da China desde a Antiguidade até hoje (os Han representam 92% dos habitantes do país atualmente). Veja:

Tumba chinesa
(Shanxi Provincial Institute of Archaeological Research/Reprodução)

A equipe chegou a essa conclusão porque o homenzinho está usando roupas distintas do padrão da época e seu cabelo não está pintado de preto, ao contrário do restante dos personagens dos murais, o que indica que ele era loiro. Ele provavelmente era um ocidental – um termo vago para aquela época, que pode significar qualquer etnia distante da China para o oeste. 

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Ao site Livescience, o especialista Victor Xiong, pesquisador da Western Michigan University (EUA), disse que, considerando o estilo da roupa, o homem talvez seja nativo da região que hoje chamamos de Ásia Central. Mais especificamente, o professor levantou a hipótese de ser alguém da civilização Sogdiana, um povo iraniano que vivia principalmente onde hoje é o Uzbequistão e se destaca por seu papel no comércio. 

Não é exatamente estranho que um “ocidental” estivesse presente na vida da China Imperial do século 8. Pelo contrário: o país tinha uma relação intensa de comércio com outros povos ao oeste via a Rota da Seda, famosíssima por ligar o extremo oriente com a Europa e o Oriente Médio. Os sogdianos, inclusive, se beneficiavam muito disso por estarem bem no meio.

O que intrigou os pesquisadores é mais o porquê do homem estar representado na tumba do casal. Possivelmente era alguém importante para o dia a dia deles, presume-se. De qualquer forma, tudo não passa de especulação – ele pode nem ser sogdiano, por exemplo, mas de algum outro povo.

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A dinastia Tang governou a China entre 618 e 907, um período considerado de grande prosperidade para o país. Entre seus líderes está a única mulher a comandar a China Imperial na história, a Imperatriz Wu Zetian, que reinou entre 690 e 705. Murais retratando pessoas na frente de árvores eram comuns nessa época e vários foram encontrados na China.

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