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Animais com pelagem preta sofrem mais no calor?

Intuitivamente, parece que sim – mas a regulação de temperatura corporal dos bichos é um pouco mais complexa.

Por Manuela Mourão
3 dez 2025, 12h00 •
  • Não necessariamente. O corpo animal não é uma superfície homogênea: sua fisiologia, comportamento e estrutura de pelagem interagem com o ambiente de maneiras sofisticadas. Em muitos casos, o calor absorvido na camada externa dos pelos não afeta significativamente a temperatura interna do corpo.

    Em uma pesquisa de 2021, cientistas monitoraram a temperatura corporal de labradores pretos e dourados e não encontraram grande diferença entre os dois. A medição foi feita durante três fases – repouso, caminhada ao sol e resfriamento. Ambos apresentaram aumentos e quedas de temperatura semelhantes, indicando que a cor do pelo, isoladamente, não é um fator determinante.

    Outros mecanismos fisiológicos – como ofegar, suar e mudar a postura – desempenham um papel mais relevante. No geral, o pelo dos mamíferos e as penas de aves funcionam como um escudo que pode reter o calor no frio ou impedir que ele atinja a pele em dias escaldantes.

    Além disso, o comportamento – buscar sombra, evitar horários de pico solar, ou se deitar em superfícies frias – desempenha um papel essencial. Em áreas sombreadas e úmidas, a circulação de ar e umidade relativa tendem a ter um impacto bem maior no conforto térmico do que a cor da pelagem. 

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    Exemplos refrescantes

    Ao longo da evolução, os animais foram ficando cada vez mais criativos nas suas técnicas de aliviar o calor. As formigas prateadas do Saara, por exemplo, possuem pelos triangulares únicos que refletem mais de 90% da luz solar, mantendo-as frescas o suficiente para buscar alimento durante o dia.

    Ilustração, em fundo lilás opaco, de uma cabeça de formiga ampliada.
    (Rafaela Reis/Superinteressante)

    O lagarto-do-colar tem cristais de guanina em camadas microscópicas que funcionam como um “escudo óptico”, refletindo parte da radiação infravermelha próxima. Essa propriedade reduz o aquecimento corporal direto, permitindo que o animal permaneça ativo sob o sol intenso sem comprometer seu equilíbrio térmico.

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    Ilustração, em fundo bege escuro, de uma cabeça de lagarto.
    (Rafaela Reis/Superinteressante)

    O elefante-africano, além das orelhas gigantes que dissipam calor, se cobre em uma camada de poeira ou lama seca que atua como refletora. A lama reflete parte da radiação solar e cria uma barreira contra o calor direto, reduzindo a absorção de energia e ajudando na regulação térmica.

    Ilustração, em fundo marrom, de uma cabeça de elefante.
    (Rafaela Reis/Superinteressante)
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    Fontes: Thermal consequences of colour and near-infrared reflectance; A comparison of black vs. yellow coat color on rectal and gastrointestinal temperature in Labrador retrievers; Keeping cool: Enhanced optical reflection and radiative heat dissipation in Saharan silver ants; Integrating bioenergetics and conservation biology: thermal sensitivity of digestive performance in Eastern Collared Lizards (Crotaphytus collaris) may affect population persistence; Why Do Elephants Bath in Mud?

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