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Cientistas acordam microorganismos presos no permafrost há 40 mil anos

Mas, ao contrário da Bela Adormecida, esse não é um final feliz: o degelo dessa camada terrestre por piorar (e muito) o aquecimento global. Entenda por quê.

Por Manuela Mourão
17 out 2025, 08h00

Muito se fala sobre o degelo do permafrost, cortesia do aumento da temperatura da Terra. Pouco, porém, se fala sobre o que é o permafrost. Então vamos lá

Trata-se de uma mistureba de solo, areia, sedimento e rocha que permanece em temperaturas de congelamento ou abaixo dela por pelo menos dois anos. Essas condições não são comuns em qualquer lugar – o pantanal brasileiro, por exemplo, não é exatamente a região em que o permafrost faz sucesso. Mas nas regiões mais ao norte do globo, como o Ártico, ele é presença constante: no Alasca, por exemplo, se esconde abaixo de 85% da área terrestre.

Acontece que, no meio da mistura congelada, microorganismos também viraram picolé. Agora, em um estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, cientistas anunciaram ter “reanimado” micróbios preservados no permafrost do Alasca  – e os resultados levantam preocupações urgentes sobre as consequências climáticas de um Ártico em aquecimento. 

Enterrados sob camadas de solo congelado há quase 40 mil anos, os microrganismos adormecidos voltaram à vida em um laboratório da Universidade de Colorado Boulder. Congelados desde a Era do Gelo, eles foram coletados nas paredes do Permafrost Tunnel Research Facility, uma instalação subterrânea do Exército dos EUA escavada nos anos 1960. O túnel, localizado a 15 metros de profundidade, preserva não apenas solos congelados, mas também restos de gramíneas antigas e ossadas de mamutes e bisões do Pleistoceno.

Robyn Barbato, do Laboratório de Pesquisa e Engenharia das Regiões Frias, perfura uma amostra das paredes do Túnel do Permafrost.
(Tristan Caro/Reprodução)
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De volta ao laboratório, os pesquisadores umedeceram as amostras com água enriquecida com átomos pesados de hidrogênio – o deutério – e as incubaram em diferentes temperaturas, simulando verões cada vez mais quentes no Alasca. Por meses, pouco aconteceu: uma em cada 100.000 células acordava por dia.

Caso a maioria dos bichinhos continuasse dormindo, o resultado seria quase um final feliz de conto de fadas: há anos cientistas alertam que o derretimento do permafrost significaria a liberação de grandes quantidades de gases de efeito estufa na atmosfera e o consequente aquecimento global – tudo por conta do despertar desses microorganismos (acordados, eles consomem carbono e liberam dióxido de carbono e metano, dois dos principais gases estufa). 

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O sono profundo parecia um resultado positivo. No entanto, não durou para sempre.

Após seis meses, os micróbios começaram a despertar e os cientistas notaram mudanças “dramáticas” nas amostras, escrevem no artigo. Os até então dorminhocos tornaram-se extremamente ativos, formando películas viscosas visíveis a olho nu. 

“Esses ecossistemas, mesmo em suspensão, continuam perfeitamente capazes de sustentar a vida, tanto do ponto de vista microbiológico quanto climático”, disse Tristan Caro, geobiólogo do Instituto de Tecnologia da Califórnia e autor principal do estudo, em entrevista à Alaska Public Media.

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A descoberta sugere que, à medida que o permafrost do Ártico descongela, bilhões de micróbios semelhantes poderão ser reativados, desencadeando um ciclo potencialmente devastador: o aquecimento desperta os micróbios, os micróbios liberam gases, e os gases intensificam ainda mais o aquecimento.

“É uma das maiores incógnitas nas respostas do clima”, afirmou Sebastian Kopf, co-autor do estudo, em comunicado. “Como o degelo de todo esse solo congelado, onde sabemos que há toneladas de carbono armazenado, afetará a ecologia dessas regiões e a taxa de mudança climática?””

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O estudo também revelou que a temperatura inicial não determinou o tempo de reativação dos microrganismos – uma constatação que, segundo os autores, muda a forma como os cientistas encaram o risco. “Não é um único dia quente que importa”, disse Caro. “O perigo está na ampliação da estação quente – verões mais longos, outonos mais amenos, primaveras que chegam mais cedo. Esse é o tipo de cenário em que essas células realmente despertam.”

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